Imagem de capa local
Imagem de capa local

Crónicas dum Naufrágio Anunciado

por Maria do Vale Cartaxo
Autor principal: Cartaxo, Maria do Vale, 1937- Idioma: Português ; da obra original, PortuguêsPaís: PortugalPublicação: Lisboa : Colibri, 2020Descrição: 183, [2] p. ISBN: 9789896899325Coleção: Tribuna livreResumo: O naufrágio anunciado é o de uma velha casa de família - uma jangada de pedra e cal - que vai ser demolida para dar lugar a um prédio de muitos andares (metáfora do Algarve atual, em que a sua paisagem e alma são sacrificadas ao altar venal do turismo). De veraneio na velha casa, pela última vez, estão um adolescente (a tentar compreender-se e ao mundo que é o seu), a sua mãe (cujo casamento se afunda) e a avó (que nasceu naquela casa, que ama, e teme naufragar com ela). Das redações do Miguel: "Tal e qual um sismo: só ficou faltando a terra tremer, mas, ainda assim, os destroços não escasseiam. Isto está tudo numa confusão do caraças e eu ainda não atino com o que se está a passar nesta barafunda toda. Só sei que o pai saiu há dois dias, ou melhor, há duas noites. Desde então não há sossego nesta casa, não sei se vou se venho, quem está quem foi, quem disse e fez o quê a quem, e até quem sou eu no meio desta trapalhada, além de neto da minha avó. Para lá dela nem consigo nortear-me, ela é o único chão firme neste campo devastado, alguém que não se liquefaz em lágrimas como a minha mãe, nem se desvaneceu de madrugada, carregando uma maleta de roupa, como o meu pai. Até a senhora Júlia parece que bebeu, só nos põe comida salgada na mesa e ontem, toda baralhada, deu-lhe na telha servir o jantar às cinco da tarde e teve a avó de metê-la na ordem ao dizer-lhe que só eram horas do chá. A avó tenta dar a tudo uma aparência de normalidade, manter horários, ir à praia comigo, mas não está conseguindo, fogo! com a mãe a chamá-la para o quarto a toda a hora, para ter umas conversas cujo começo eu ainda ouço e é sempre o mesmo - "e a mãe o que acha que o João..." - antes da porta bater."
Pontuação
    Classificação média: 0.0 (0 votos)
Exemplares
Imagem da capa Tipo de documento Biblioteca Biblioteca de inscrição Coleção Localização Cota Materiais especificados Informação volume URL Número de cópia Estado Notas Data de devolução Código de barras Reservas Prioridade da lista de reserva Reservas de curso
Livro Portimão Portimão Biblioteca Portimão FL 8CARTAXO 8LP-3 (Ver prateleira(Abre abaixo)) Disponível E00301066956
Total de reservas: 0

O naufrágio anunciado é o de uma velha casa de família - uma jangada de pedra e cal - que vai ser demolida para dar lugar a um prédio de muitos andares (metáfora do Algarve atual, em que a sua paisagem e alma são sacrificadas ao altar venal do turismo). De veraneio na velha casa, pela última vez, estão um adolescente (a tentar compreender-se e ao mundo que é o seu), a sua mãe (cujo casamento se afunda) e a avó (que nasceu naquela casa, que ama, e teme naufragar com ela).

Das redações do Miguel: "Tal e qual um sismo: só ficou faltando a terra tremer, mas, ainda assim, os destroços não escasseiam. Isto está tudo numa confusão do caraças e eu ainda não atino com o que se está a passar nesta barafunda toda. Só sei que o pai saiu há dois dias, ou melhor, há duas noites. Desde então não há sossego nesta casa, não sei se vou se venho, quem está quem foi, quem disse e fez o quê a quem, e até quem sou eu no meio desta trapalhada, além de neto da minha avó. Para lá dela nem consigo nortear-me, ela é o único chão firme neste campo devastado, alguém que não se liquefaz em lágrimas como a minha mãe, nem se desvaneceu de madrugada, carregando uma maleta de roupa, como o meu pai. Até a senhora Júlia parece que bebeu, só nos põe comida salgada na mesa e ontem, toda baralhada, deu-lhe na telha servir o jantar às cinco da tarde e teve a avó de metê-la na ordem ao dizer-lhe que só eram horas do chá. A avó tenta dar a tudo uma aparência de normalidade, manter horários, ir à praia comigo, mas não está conseguindo, fogo! com a mãe a chamá-la para o quarto a toda a hora, para ter umas conversas cujo começo eu ainda ouço e é sempre o mesmo - "e a mãe o que acha que o João..." - antes da porta bater."

Não há comentários disponíveis sobre este título.

para publicar um comentário.

Clicar numa imagem para a ver no visualizador de imagens

Imagem de capa local
Partilhar
Horários e Contactos
Biblioteca M. Manuel Teixeira Gomes

Terça a Sexta-feira: 09h30 - 19h00
Sábado: 14h00 - 19h00
Encerra: Segunda-feira

Quinta do Bispo
8500-729 Portimão
Telefone: 282 480 476

Polo de Leitura de Alvor

Segundas, Quartas e Sextas das 09h30 às 13h00
Encerra: Sábado

Rua Marquês de Pombal, Nº 6
8500-021 Alvor
Telefone: 282 248 592

Polo de Leitura da Mexilhoeira Grande

Terças e Quintas das 14h00 às 17h00
Encerra: Sábado

Bairro Figueiral Velho
8500-132 Mexilhoeira Grande
Telefone: 282 248 593

Redes Sociais

Implementado no software livre e de código aberto KOHA