Crónicas dum Naufrágio Anunciado
por Maria do Vale Cartaxo
Idioma: Português ; da obra original, PortuguêsPaís: PortugalPublicação: Lisboa : Colibri, 2020Descrição: 183, [2] p. ISBN: 9789896899325Coleção: Tribuna livreResumo: O naufrágio anunciado é o de uma velha casa de família - uma jangada de pedra e cal - que vai ser demolida para dar lugar a um prédio de muitos andares (metáfora do Algarve atual, em que a sua paisagem e alma são sacrificadas ao altar venal do turismo). De veraneio na velha casa, pela última vez, estão um adolescente (a tentar compreender-se e ao mundo que é o seu), a sua mãe (cujo casamento se afunda) e a avó (que nasceu naquela casa, que ama, e teme naufragar com ela). Das redações do Miguel: "Tal e qual um sismo: só ficou faltando a terra tremer, mas, ainda assim, os destroços não escasseiam. Isto está tudo numa confusão do caraças e eu ainda não atino com o que se está a passar nesta barafunda toda. Só sei que o pai saiu há dois dias, ou melhor, há duas noites. Desde então não há sossego nesta casa, não sei se vou se venho, quem está quem foi, quem disse e fez o quê a quem, e até quem sou eu no meio desta trapalhada, além de neto da minha avó. Para lá dela nem consigo nortear-me, ela é o único chão firme neste campo devastado, alguém que não se liquefaz em lágrimas como a minha mãe, nem se desvaneceu de madrugada, carregando uma maleta de roupa, como o meu pai. Até a senhora Júlia parece que bebeu, só nos põe comida salgada na mesa e ontem, toda baralhada, deu-lhe na telha servir o jantar às cinco da tarde e teve a avó de metê-la na ordem ao dizer-lhe que só eram horas do chá. A avó tenta dar a tudo uma aparência de normalidade, manter horários, ir à praia comigo, mas não está conseguindo, fogo! com a mãe a chamá-la para o quarto a toda a hora, para ter umas conversas cujo começo eu ainda ouço e é sempre o mesmo - "e a mãe o que acha que o João..." - antes da porta bater."| Imagem da capa | Tipo de documento | Biblioteca | Biblioteca de inscrição | Coleção | Localização | Cota | Materiais especificados | Informação volume | URL | Número de cópia | Estado | Notas | Data de devolução | Código de barras | Reservas | Prioridade da lista de reserva | Reservas de curso | |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
Livro
|
Portimão | Portimão Biblioteca Portimão | FL 8CARTAXO 8LP-3 (Ver prateleira(Abre abaixo)) | Disponível | E00301066956 |
A ver as prateleiras de Portimão,Localização na prateleira: Biblioteca Portimão Fechar navegador de prateleira (Fechar visualizador de prateleira)
| FL 8BRANCO 8LP-312.4 Chamas de amor | FL 8CARRILHO 8C Noa e a aventura de escutar com o coração | FL 8CARTAXO 8LP-3 No comboio ascendente, contos e contas pendentes | FL 8CARTAXO 8LP-3 Crónicas dum Naufrágio Anunciado | FL 8DIAS 8LP-1 Largo do mercado, seguido de 10 versos, poemas desesperançados, marca d'água, aforismos | FL 8DUARTE 8LP-1 Gralhas | FL 8DUARTE 8LP-94 Até onde fui por amor |
O naufrágio anunciado é o de uma velha casa de família - uma jangada de pedra e cal - que vai ser demolida para dar lugar a um prédio de muitos andares (metáfora do Algarve atual, em que a sua paisagem e alma são sacrificadas ao altar venal do turismo). De veraneio na velha casa, pela última vez, estão um adolescente (a tentar compreender-se e ao mundo que é o seu), a sua mãe (cujo casamento se afunda) e a avó (que nasceu naquela casa, que ama, e teme naufragar com ela).
Das redações do Miguel: "Tal e qual um sismo: só ficou faltando a terra tremer, mas, ainda assim, os destroços não escasseiam. Isto está tudo numa confusão do caraças e eu ainda não atino com o que se está a passar nesta barafunda toda. Só sei que o pai saiu há dois dias, ou melhor, há duas noites. Desde então não há sossego nesta casa, não sei se vou se venho, quem está quem foi, quem disse e fez o quê a quem, e até quem sou eu no meio desta trapalhada, além de neto da minha avó. Para lá dela nem consigo nortear-me, ela é o único chão firme neste campo devastado, alguém que não se liquefaz em lágrimas como a minha mãe, nem se desvaneceu de madrugada, carregando uma maleta de roupa, como o meu pai. Até a senhora Júlia parece que bebeu, só nos põe comida salgada na mesa e ontem, toda baralhada, deu-lhe na telha servir o jantar às cinco da tarde e teve a avó de metê-la na ordem ao dizer-lhe que só eram horas do chá. A avó tenta dar a tudo uma aparência de normalidade, manter horários, ir à praia comigo, mas não está conseguindo, fogo! com a mãe a chamá-la para o quarto a toda a hora, para ter umas conversas cujo começo eu ainda ouço e é sempre o mesmo - "e a mãe o que acha que o João..." - antes da porta bater."
Não há comentários disponíveis sobre este título.
